EUA congelam US$ 131 milhões em criptomoedas ligadas ao Irã em meio à escalada de tensões no Oriente Médio

Diego Velázquez
Diego Velázquez

Nova rodada de sanções financeiras

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos bloqueou, em meados de julho, US$ 131 milhões em ativos digitais ligados ao Irã, em mais um capítulo da campanha de pressão financeira que Washington vem aplicando sobre Teerã ao longo do ano. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, confirmou a medida publicamente, afirmando que o governo dos Estados Unidos continuará combatendo o uso de criptomoedas para financiar atividades consideradas ilícitas por parte do regime iraniano.

Carteiras ligadas ao Banco Central do Irã foram congeladas

Segundo dados on-chain identificados por investigadores de blockchain, a emissora de stablecoin Tether congelou quatro carteiras na rede Tron contendo o valor total bloqueado, todas vinculadas ao Banco Central do Irã. Esse tipo de ação, em que uma empresa privada responsável por emitir uma stablecoin atende a uma solicitação do governo americano, tem se tornado cada vez mais comum como ferramenta de sanção financeira internacional envolvendo criptoativos.

Operação já havia realizado bloqueios anteriores

Esse episódio não é isolado. Em abril deste ano, a mesma emissora de stablecoin já havia confirmado o congelamento de mais de US$ 344 milhões em USDT, também a pedido das autoridades americanas, como parte da mesma campanha de pressão sobre o Irã. Na ocasião, o Departamento do Tesouro havia sancionado múltiplas carteiras digitais e emitido uma licença especial autorizando a liquidação de transações envolvendo uma refinaria chinesa também incluída nas restrições.

Segundo o próprio Bessent, em maio deste ano os Estados Unidos já haviam confiscado cerca de US$ 1 bilhão em criptoativos iranianos desde o início da chamada Operação Fúria Econômica, lançada em março de 2025. Em comunicado divulgado em junho, o secretário do Tesouro afirmou que a iniciativa busca interromper redes de aquisição estrangeiras que apoiam os esforços militares do Irã para obter armamentos, reforçando o caráter estratégico dessas apreensões de ativos digitais.

Criptomoedas entram na disputa geopolítica

Esse tipo de ação ilustra como as criptomoedas, originalmente pensadas como um sistema financeiro descentralizado e menos sujeito a controles governamentais, acabaram se tornando também um instrumento relevante em disputas geopolíticas entre Estados nacionais. O caso do Irã, em particular, mostra que mesmo ativos digitais podem ser rastreados e congelados quando emitidos por empresas privadas dispostas a colaborar com autoridades regulatórias e de sanções internacionais.

Sanções vão além dos ativos digitais

Além do bloqueio das carteiras ligadas ao Banco Central iraniano, o Departamento do Tesouro também incluiu, em ações anteriores da mesma campanha, mais de 50 indivíduos e diversas empresas e embarcações na lista de sancionados, ampliando o escopo das medidas para além do universo estritamente digital. Entre os alvos anteriores estavam entidades sediadas em países como China, Hong Kong e Emirados Árabes Unidos, supostamente envolvidas no transporte de petróleo e derivados iranianos.

Debate sobre o controle das stablecoins continua

Para o mercado de criptomoedas de forma geral, episódios como esse reforçam a percepção de que stablecoins como o USDT, apesar de operarem em redes descentralizadas, ainda dependem de emissores centralizados capazes de congelar fundos mediante ordem judicial ou pressão regulatória. Essa característica distingue esse tipo de ativo de criptomoedas mais descentralizadas, como o próprio Bitcoin, cujo protocolo não permite esse tipo de intervenção direta por parte de terceiros.

Monitoramento deve continuar

Para os próximos meses, a expectativa é que os Estados Unidos continuem monitorando de perto o fluxo de recursos digitais ligados ao governo iraniano, especialmente em um contexto de escalada de tensões no Oriente Médio. O episódio também deve manter aceso o debate internacional sobre até que ponto stablecoins emitidas por empresas privadas podem, na prática, funcionar como instrumento auxiliar de política externa e de sanções econômicas entre países.

Fontes:
https://cointelegraph.com.br/news/us-freezes-131m-in-iran-linked-crypto-as-middle-east-tensions-rise
https://livecoins.com.br/governo-americano-congela-us-130-milhoes-em-criptomoedas-do-ira/

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