Conforme Kelsem Ricardo Rios Lima, viajar deixou de ser apenas um deslocamento físico e passou a representar um encontro com modos de vida, histórias, sabores e identidades diferentes. A percepção de que viajar envolve vivenciar a cultura local reflete uma transformação importante na maneira como o turismo é compreendido hoje. O interesse já não se limita a chegar a um destino, mas a entender o que ele simboliza, como as pessoas vivem, o que consomem, como se expressam e quais histórias ajudam a formar sua identidade coletiva.
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Quando viajar vira consumo cultural, muda a forma de escolher o destino?
Quando a viagem passa a ser entendida como uma experiência cultural, os critérios de escolha do destino mudam. Em vez de priorizar apenas paisagens famosas ou locais com grande visibilidade internacional, o viajante começa a valorizar lugares que carregam identidade, tradições vivas e modos de vida próprios. O destino deixa de ser apenas um pano de fundo visual e passa a ser um ambiente cultural completo, no qual cada rua, hábito e expressão cotidiana fazem parte da experiência.
Essa forma de encarar a viagem também faz com que cidades menores, comunidades tradicionais e áreas que costumavam ficar fora dos roteiros mais divulgados ganhem destaque. Nesse contexto, o que realmente pesa na escolha não é o tamanho ou a fama do lugar, mas a riqueza cultural que ele é capaz de oferecer. Segundo Kelsem Ricardo Rios Lima, essa mudança amplia o mapa mental do turismo. O mundo deixa de ser dividido apenas entre “lugares famosos” e “lugares desconhecidos” e passa a ser visto como um conjunto de territórios culturais, cada um com sua lógica, seus rituais e sua memória coletiva.

Como a gastronomia se tornou parte central dessa experiência cultural?
Como destaca Kelsem Ricardo Rios Lima, a comida deixou de ser apenas uma necessidade durante a viagem e se transformou em um dos principais caminhos de acesso à cultura local. Pratos típicos, ingredientes regionais e modos de preparo tradicionais revelam muito sobre clima, história, influências migratórias e hábitos sociais de um povo. Comer passa a ser uma forma de estudar o território.
Restaurantes, feiras, mercados e cozinhas de família tornam-se espaços de imersão cultural. Ao provar uma receita tradicional, o viajante experimenta séculos de adaptação, trocas culturais e criatividade local. Muitas vezes, a gastronomia conecta o visitante a narrativas que não estão em livros, mas na memória oral, nas festas populares e nas práticas do cotidiano.
De que forma essa visão transforma o comportamento do viajante?
Quando a viagem é entendida como experiência cultural, o comportamento do turista muda. Ele se torna mais observador, respeitoso e interessado em compreender contextos. Em vez de apenas consumir imagens e registrar fotos, busca conversas, histórias e interações com moradores locais. O foco deixa de ser apenas “mostrar onde esteve” e passa a ser “entender onde esteve”.
De acordo com Kelsem Ricardo Rios Lima, esse novo olhar também estimula práticas mais responsáveis. Ao reconhecer que está entrando em um espaço cultural vivo, o viajante tende a valorizar costumes, respeitar regras locais e evitar atitudes que descaracterizem o ambiente. Por fim, o turismo deixa de ser uma invasão passageira e se aproxima mais de uma relação de troca, em que há aprendizado de ambos os lados.
Autor: Samuels Baravks
